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TRADUTOR

Tuesday, January 12, 2016

OS ANJOS MAUS






Os anjos do mal são verdes e grandes 
se escondem nas nuvens nas dobras do céu 
perturbam os lares destroem cidades 
nem miram coitados a bola do sol.

De tarde insinuam com jeito coisas maliciosas 
à mulher que passa acariciando os seios 
e às meninas que ficam trancadas no quarto 
o dia inteiro no espelho revirando os olhos, 
namorando o corpo delas, 
depois a sociedade vai por água abaixo.

São fortes e altos, não é sopa não, 
têm dentes de pérola, boca de coral.

Os aviadores partem pra combatê-los e morrem. 
As viúvas dos aviadores não recebem montepio.





Murilo Mendes

Thursday, September 29, 2011

STAND UP POETRY


MINHA LINDA AMANTE DAS NUVENS*
move-se em perfumes
& não me ama

perdida no tempo
rara & feita
de uma esperteza dos céus
rarefaz-me

& esbelta
trama, ri, espreita
a controlar gestos
por entre véus

sei que caça seu amor pelos ares
(quem sabe em todos os lugares)

bem perto da noite
que me funde a seu breu
manipula o vento
com os dedos lisos
a quem nada escapa
nem o pássaro
que passa











____________
a cabeça de um homem
numa bandeja
toda mulher deseja**
____________




*Marcello Chalvinski
**Lúcia Santos









CARTA AO POETA PASTORI*
Amigo / meu coração se apertou descompassado
estive triste colhendo ocasos
- aquelas borboletas na janela
aprisionaram crisálidas sem tempo / & invadiu o meu sótão
uma miríade de ratos
- - meu coração apertado
tingido de paixões
bombeou aos vis pulmões
o sangue quente & nacarado
- tornei-me refém de tubarões
no oceano do inimaginado
---mas
antes que o último coqueiro
tombe sobre o último poema
caminharemos abraçados
de panaquatira à piatã
- frustraremos automóveis dissonantes / incendiaremos bancas de revista & mijaremos na fogueira de todas as vaidades
estive triste colhendo ocasos
mas o acaso quis
que dentro do poema

houvesse ânimo
amizade & gasolina

era outubro ou nada

beijei minha baby vestal
& lancei mão de minha escopeta de idéias

disparei inclemente
contra os demônios
que infeccionavam minhas manhãs & cheio de manhas
derrotei meus torpes algozes

amigo
meu coração se apertou descompassado

mas os dias
nem sempre começam
tão bem quanto terminam






*Marcello Chalvinski



Ao poeta faz bem desexplicar
Tanto quanto escurecer Acende os vaga-lumes*.
_________

BABY VESTAL **

do alto da torre
em chamas
minha amada
chama por mim
-    a dor é espessa
mas todos os segredos
estão sob minha capa
-     com a alma envolta
em denso outono
cerro nos dentes
o inverno que aflora
& minha amada
protegendo meu sonho
desfaz as tranças
& sonha
à minha espera















Viver é como amar: toda a razão é contra, mas todos os instintos são a favor.***








*Manoel de Barros
**Marcello Chalvinski
*** Samuel Butler

DIVERBIUM*
filamentos lunares
perfuram nuvens
carregadas de hipertextos
 - ora direis ouvir estrelas...
os casarões da ilha
resistem à gargalhada
atroz dos arranha-céus
- salta clown!
o aguaceiro ainda lambe
as pedras de cantaria
& do alto do parnaso
cérbero espia
como é fria
a carne descontextualizada
fina flor dessa agonia
boa noite sol
até um dia
quando eu acabar
com aquela garrafa vadia
(tubulações aéreas
vazam fluido anti-solar)
no ar / o sorriso misericordioso de Irene / pende spleen & ideal
 - fusão sinóptica de idéias
em desnexo visual
antroponáutica / antropofagia
antro pária / : é demiurgia
eletricidade paliativa
para a fadiga da orgia
- ora direis ouvir estrelas
o azar é um dançarino
desvirgem / despalavra
desverbo / desfrase
desverso / desrima
a virgem / que encontrei
- é crua a vida alça de tripa & metal ! atenta: loucos são todos em suma
prostitutas de maldoror: ainda uma vez adeus!
prostitutas de macondo: só vou por onde me levam meus próprios passos!
prostitutas de pasárgada: ora direis ouvir estrelas...
toma um fósforo
& acende o teu cigarro
vêm
os vagalumes idiotas/os alcalóides à vontade
& as chuvas de quatro anos
ai de ti Copacabana
pátria amada / salve/ salve-se
se eu fizer poesia
com a tua miséria
sorte no jogo/ azar no amor
* Marcello Chalvinski
GUARDAR* uma coisa não é escondê-la ou trancá-la
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la,
Isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. // Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela,
Isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
Isto é, estar por ela
ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
Por isso se declara e declama um poema: Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarde um poema: Por isso o lance do poema: Para guardar-se o que se quer guardar.







Eu estive...
...onde um menino**
À escuta
Do verão dos mortos sussurrava a verdade de seu êxtase
Às árvores e às pedras e ao peixe na maré.
E todavia o mistério
Pulsava vivo Na água e nos pássaros canoros.
E ali podia eu maravilhar-me com meu aniversário
Que fugia, enquanto o tempo girava em derredor.**


*Antônio Cícero
**Dylan Thomas



HOLOGRAMA*

No coração
(lá onde as lâminas trespassam)
teu cheiro ainda veste
o azul da paixão dulcíssima
& como um uísque
teus seios dourados brilham
extasiando minha memória
de bardo demoníaco & bêbado
ah, minha doce putinha!
cinematográfica
tua boca se expande
em sorrisos etéreos
pudessem meus olhos afiados
cortá-Ia em macias tiras
fazê-Ia em pedaços
& meus dentes deliciados
esqueceriam os cansaços
para saciar-me da mais fina carne
em holográfica memória
ainda posso sentir tua pele
poro a poro
tua aura em gemidos
tua alma queimando na suprema perdição
da entrega
ah, como é doce ver
você umedecer
& nos meus braços
gritar gritinhos molhados
com a voz tão mansinha
que de tão sua
é toda minha
guarda, pois, tua mandala
& prepara a taça para que eu a encha
com o vinho dos meus hormônios
só assim, doce bruxinha,
eu te mostrarei meu pentagrama.


“Dá-me, ó amada, de olhos vítreos
que te celebre nos jardins suspensos
onde o delírio abriu as pétalas do álcool.” **


*Marcello Chalvinski
**Haroldo de Campos

OCEANUS PROCELARUM*

1 . a tempestade
chegou vestida de negro

na exatidão mais que cruel
de seus cabelos
trouxe consigo o vento
& agitou inteiro
um mar de desmantelos

na vaga
que contra outra
vaga se chocava
compunha-se destruidora
a cadência com que andava

deusa vestal
atenta a deuses ilusórios
a tempestade exibia
nos  olhos
o lampejo abissal
de seus raios








2 . a tempestade se foi
vestida de negro
alçou a noite insana

& eu
em desespero
a verbo
a fogo
a blues
a  nu


gritava
sob a lua:

baby junk
where are you?



*Marcello Chalvinski





HEBDÔMADA VERTICAL*

estou com você caindo do céu entre lagartos & gritos
para que não fiques aflita
ordeno a ditongos & canivetes
que preparem ramalhetes
de proparoxítonas
- duendes & magos
na ortodoxa ortoépia dos mitos
ao meu sinal ábdito
recitam versos-delitos
 estou com você caindo do céu entre lagartos & gritos
o escuro assombroso
da nuvem abaixo
cobre a fantasmagórica
luz da cidade nobre
as casas pobres
tombam sobre jardins ósseos
na escuridão triste
das lâmpadas despedaçadas
mas
cala tua mágoa / a enxurrada posta de pelo vento / reduz a distância até os girassóis
vamos velozes por entre os raios que se engastam à trombeta dos trovões


embaixo
suaves flores tóxicas
macios espelhoságua
telefones & capim-limão
- somos o que vai entre a chuva perfurando a ventania
em bilhões de orifícios diagonais
atravessaremos juntos
as vidraças do temporal
& solveremos o asfalto das recorrências
infiltrando múltiplas
& sutis incoerências
penetraremos os esgotos
& rasgaremos ávidos
os frios lençóis freáticos
desaguaremos no oceano
meu amor enigmático
& voltaremos como milhões
para este ar de terror & maravilhas
estou com você caindo do céu
entre lagartos & gritos

*Marcello Chalvinski

Sonhei penhascos
Quando havia o jardim
Aqui ao lado*


CAMPO DOS ESPELHOS**

sob este céu caleidoscópico
as paixões são borboletas exatas
pegam o ritmo do vento
& vivem à mercê de suas correntes
lépidas
óbvias
obsessivas
lepidópteras
seduzidas pela eterna deriva

só elas compreendem
a arquitetura viva
destes canteiros imensos
onde as raízes que dormem
são amáveis flores invertidas
Puro mel





porque te amo***
o modo como você se move é tigre
fim de tarde, arrebol
porque te amo
o modo como você sorri
mesmo quando chove
faz sol
porque te amo
o modo como você olha
perfuma, afeta, arde, tinge
porque te amo
 o modo como você fala
incendeia, colore, atinge
porque te amo
o modo como você cala
é imponência, majestade, esfinge
porque te amo é tudo mel
puro prazer



* Hilda Hilst
** / *** Marcello Chalvinski

POR CAUSA DE JANDIRA*
O mundo começava nos seios de Jandira.
Depois surgiram outras peças da criação:
Surgiram os cabelos para cobrir o corpo,
(Às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos.)
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
O ar inteirinho ficou rodeado de sons
Mais palpáveis do que pássaros.
E as antenas das mãos de Jandira
Captavam objetos animados, inanimados.
Dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
Quando Jandira penteava a cabeleira...

Depois o mundo desvendou-se completamente,
Foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E Jandira apareceu inteiriça,
Da cabeça aos pés,
Todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
De sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedeciam aos sinais de Jandira
Crescendo na vida em graça, beleza, violência. 
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
E eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
Deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
Por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal
E apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
Por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira
Outro, por causa de uma pinta na face esquerda de Jandira.

E seus cabelos cresciam furiosamente com a força das máquinas;
Não caía nem um fio,
Nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
Tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
A família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
Por causa de Jandira.
E um padre na missa
Esqueceu de fazer o sinal-da-cruz por causa de Jandira.


E Jandira se casou
E seu corpo inaugurou uma vida nova.
Apareceram ritmos que estavam de reserva.
Combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas que repetem 
As formas e os sestros de Jandira desde o princípio do tempo.

E o marido de Jandira
Morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia o marido
Fez um grande esforço para ressuscitar:
Não se conforma, no quarto escuro onde está,
Que Jandira viva sozinha,
Que os seios, a cabeleira dela transtornem a cidade
E que ele fique ali à toa.

E as filhas de Jandira
Inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre, 
Espera que os clarins do juízo final
Venham chamar seu corpo, 
Mas eles não vêm.
E mesmo que venham, o corpo de Jandira
Ressuscitará ainda mais belo, mais ágil e transparente













































AEDH DESEJA OS TECIDOS DOS CÉUS*

Fossem meus os tecidos bordados dos céus
Ornados com luzes de ouro e prateada luz
& o azul & o escuro & os escuros véus / da noite,
à luz e à meia luz
Eu os estenderia sob os teus pés.
--- Mas, sendo eu pobre, tenho apenas meus sonhos.
E eu os estendo sob os teus pés
Pisa devagar, pois estás pisando sobre os meus sonhos.

há um pássaro azul no meu coração**
Ele que quer sair
mas eu sou muito mal com ele,
e digo: fique aí,
não vou deixar ninguém te ver.
- há um pássaro azul no meu coração / que quer sair
mas eu despejo whisky em cima dele e o sufoco com o fumo dos meus cigarros
& as putas & os empregados de bar & os funcionários da mercearia nunca saberão
que ele se encontra
dentro do meu peito.
-     há um pássaro azul no meu coração / que quer sair
mas eu sou muito mal com ele,
e digo, fique escondido,
quer  me arruinar?
quer foder o
meu trabalho?
quer arruinar
as minhas vendas de livros?

há um pássaro azul no meu coração / que quer sair
E eu, que sou muito esperto,
deixo ele sair às vezes, à noite
quando todos estão dormindo.

Eu lhe digo: sei que estás aí,
não fique triste.
Saia um pouco...
E depois de algum tempo,
eu o coloco de volta,
E ele canta um pouco dentro
Do meu peito,

Eu não o deixarei morrer de todo
& dormiremos juntos
& viveremos assim
com o nosso pacto secreto
que é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?










*Yeats
*Bukowski



Cantam pássaros exóticos no teu púbis*.
Como espelhar graficamente
uma melodia de sonho?
-Cantam pássaros exóticos no teu púbis.//Como definir a breve vertigem nos momentos de lucidez?
-Cantam pássaros exóticos no teu púbis. // Como descrever o frémito singular
com as palavras banais de todos os dias?
-Cantam pássaros exóticos no teu púbis.// Cantam. Ou imagino-os // Ouço-os. Ou adivinho-os.// Quantas decepções cabem no abismo
que separa A Sensação de A Palavra?
-Cantam pássaros exóticos no teu púbis.// Para nós ambos, no vórtice do delírio.
Como ouvi-los sem ser a deliberar? // E como delirar sem os ouvir?
- Cantam pássaros exóticos no teu púbis.// O êxtase está além do abraço desesperado
além dos copos do peito além da sanguessuga
labiar além das ancas convulsivas além
dos rostos de mármore esbraseados
-Cantam pássaros exóticos no teu púbis.// E só ouvindo-os nos amamos como sonhamos. 


*Mário de Andrade
* Murilo Mendes

POEMA DA BUCETA CABELUDA*

A buceta da minha amada
tem pêlos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono-das-secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo-baiano.
A buceta da minha amada
é cabeluda / como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do Universo.
A buceta da minha amada
é cabeluda, misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos,
é um delta ardente sob os meus dedos / e na minha língua é lambda.

A buceta da minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.

A buceta da minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme
quando a gente fode.

* Bráulio Tavares
O JARDIM DAS MARAVILHAS*

há flores que riem
& flores que choram
há flores perfumadas
& flores que não espargem aroma
nem mesmo na primavera

há flores lindas
que umedecem ao toque
& flores que se molham
com pequenas torneiras ocultas

há flores que se apaixonam & gemem
& flores que nos fazem apaixonar
em completo silêncio

há flores malucas
que arrastam correntes nas luas cheias
& flores evangélicas
cujos templos se fecham
à espera da quarta de cinzas

há flores histéricas
que arranham & gritam
& flores ninfomaníacas
que perseguem a desidratação

há flores negras & quentes como o sol de julho
& flores louras carnívoras
que habitam shoppings cor-de-rosa

há flores ruivas que enlouquecem de tão raras
& flores indígenas, doces canibais

há flores selvagens que sabem amar
& flores de louça
que brigam por qualquer coisa

há flores tatuadas & doidas
& há flores mansas & lisas
há flores aparentemente glaciais
que se fecham com espinhos
& pétalas de cristal
só para esconder seus pistilos incríveis
que são como detonadores de bombas atômicas

há flores
que se deixam polinizar pela poesia
só para ganhar o ar
com suas plumas leves

há flores intuitivas
que adivinham tudo o tempo todo
& só se enganam quando por acaso
Meditam

há flores que beijam & flores que chupam
& há flores que beijam & chupam de tal jeito
que nunca se sabe o que realmente está acontecendo

há também flores que caem do céu
& flores que deixam o mar todo eriçado
há flores que destilam frases, provérbios, ditados
& flores que de tão lindas nem precisavam nem falar

há flores que dançam fazendo o vento parecer ingênuo
& há flores canoras que se negam cheias de romantismo

há flores trepadeiras
que enroscam seus liames incendiários
& flores aquáticas que transbordam seivas aromáticas

há flores que se arvoram
& flores que mergulham

há flores alucinógenas
& flores voluntárias da pastoral da sobriedade

há flores delicadas elegantes como pássaros
& há flores ferozes que atacam como tubarões

há flores sombrias & evanescentes
& há flores concretas que ofuscam até o sol do meio-dia

há flores inefáveis
flores infindas
flores mágicas
flores místicas

flores ardentes
flores lânguidas
flores psicotrópicas
flores narcóticas
flores calmantes
flores exóticas
flores inebriantes
flores radioativas
flores do campo
flores cosmopolitas
flores litorâneas
flores divinas
flores malditas
flores esquecidas
flores que se acham
flores perdidas
flores impávidas
flores altivas
flores siderais
flores etéreas
& até angelicidas
- há flores de pedra
flores atrevidas
raras
vulgares
hortências
orquídeas
margaridas
gérberas
girassóis
violetas
amapoulas
afelandras
lantanas
crisântemos
anêmonas
bromélias
aráceas
tilandísias
passifloras
amores-perfeitos
lótus
helicônias
papoulas
madressilvas
tulipas
jasmins
peônias
lírios
nenúfares
açucenas
prímulas
camélias
rosas
lúcias
amélias
lucianas
márcias
carolinas
franciscas
marias
micheles
flávias
cristinas
marinas
júlias
karinas
camilas
katrinas
rosanas
giseles
genis
artemísias
angélicas
sáskias
glendas
priscilas
marílias
danielas
diabólicas
líricas
sagazes
luminosas
audazes
gozosas
satíricas
fantásticas
apaixonantes
exatas
admiráveis
perfeitas
francesas
alemãs
espanholas
polacas
italianas
croatas
flores norte-americanas
inglesas
coreanas
uruguaias
bolivianas
chinesas
mexicanas
austríacas
intergalácticas
argentinas
felinas
esguias
canídeas
aladas
que arranham
que lambem
que requebram
que mordem
sestrosas
ciganas
tupiniquins
há flores tantas
há flores tamanhas
há flores incontáveis, indizíveis
há flores a não ter mais fim

Encontre aquela a quem você possa dizer: só você me interessa.**
A vida fica mais fácil se a gente sabe onde estão os beijos de que precisamos.***
*Marcello Chalvinski
** Ovídio
*** Mário Quintana

Tira-gosto