No declive da escarpa anjos giram suas togas de lãsobre relvas de aço e esmeralda.Prados de chamas saltam até as mamas dos montes.À esquerda, o humo dos sulcos é pisado por todos os homicidase todas as batalhas, e todos os ruídos do desastre traçam sua curva. Atrás do sulco à direita, a linha dos orientes, dos progressos.E enquanto a faixa no alto do quadro se formado rumor giratório e saltitante das conchas do mar e das noites humanas, a doçura florida das estrelas e do céu e do restodesce diante da escarpa, como um cesto, — contra nossa face,e faz um abismo azul em flor lá embaixo.
Arthur Rimbaud
Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;
E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.
Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:
Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.
Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;
Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.
Poema: William Butler Yeats
Arte: Tom Colbie

filamentos lunares
perfuram nuvens
carregadas de hipertextos
ora direis
ouvir estrelas
os casarões da ilha
resistem à gargalhada
atroz dos arranha-céus
salta clown!
o aguaceiro ainda lambe
as pedras de cantaria
&
do alto do parnaso
cérbero espia
vê como é fria
a carne descontextualizada
fina flor dessa agonia
boa noite sol
até um dia
quando eu acabar
com aquela garrafa vadia
(tubulações aéreas
vazam fluido anti-solar)
no ar
o sorriso misericordioso de irene
pende spleen & ideal
fusão sinóptica de idéias
em desnexo visual
antroponáutica
antropofagia
antro pária
vê:
é só demiurgia
eletricidade paliativa
para a fadiga
da orgia
ora direis
ouvir estrelas
o azar é um dançarino
desvirgem
despalavra
desverbo
desfrase
desverso
desrima
a virgem
que encontrei
é crua a vida
alça de tripa & metal
atenta:
loucos são todos em suma
prostitutas de maldoror
ainda uma vez
adeus!
prostitutas de macondo
só vou por onde
me levam meus próprios passos!
prostitutas de pasárgada
ora direis
ouvir estrelas...
toma um fósforo
& acende o teu cigarro
vêm aí
os vagalumes idiotas
os alcalóides à vontade
& as chuvas de quatro anos
ai de ti copacabana
pátria amada
salve
salve-se
se eu fizer poesia
com a tua miséria
sorte no jogo
azar no amor
POEMA: MARCELLO CHALVINSKIARTE: TOM COLBIE