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Friday, September 16, 2011
O LAMENTO DO TITANIC-BOULOGNE
(A Canção da harpa e do Arpão)
há o amor vivido
e há o amor sonhado
o primeiro é lívido
o outro: envergonhado
no amor vivido
a carne se gasta.
no amor sonhado
a alma se pasta.
o amor vivido
põe cartas à mesa.
o amor sonhado
sonha a sobremesa.
o amor vivido
fere-o o arpão.
a amor sonhado:
harpa no salão.
no amor vivido
a paixão consome.
no amor sonhado
se nutre a fome.
sonhar o amor vivido.
viver o amor sonhado.
eis o acontecido
nas praias do imaginado.
Luís Augusto Cassas - TITANIC-BOULOGNE - A CANÇÃO DE ANA E ANTÔNIO - IMAGO
.
Labels:
Lamento Canção
Friday, March 25, 2011
MINHA LINDA AMANTE DAS NUVENS
Hilda Hilst
move-se em perfumes
& não me ama
perdida no tempo
de uma esperteza dos céus
rarefaz-me
& esbelta
a controlar gestos
sei que caça seu amor pelos ares
(quem sabe em todos os lugares )
manipula o vento
a quem nada escapa
Poema: Marcello Chalvinski
Arte: Tom Colbie
Arte: Tom Colbie
Saturday, February 26, 2011
DELÍRIOS II - ALQUIMIA DO VERBO
(Da série Influências)
Para mim. A história de minhas loucuras. Há muito me gabo de possuir todas as paisagens possíveis e tenho como ridículas as celebridades da pintura e da poesia moderna.
Amo as pinturas idiotas, vãos de portas, bugigangas, panos de saltimbancos, estandartes, estampas baratas, literatura fora de moda, latim eclesiástico, livros eróticos sem ortografia, romances antigos, contos de fadas, contos para crianças, velhas óperas, refrões ingênuos, ritmos simplíssimos.
Sonhei cruzadas, viagens de descobrimentos das quais não existiam relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião sufocadas, revoluções de costumes, movimentos de raças e de continentes: acreditei pois em todas as magias.
Inventei a cor das vogais! - A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde - Determinei a forma e o movimento de cada consoante, e, com ritmos instintivos, procurei inventar um verbo poético acessível, mais dia, menos dia, a todos os sentidos. Era comigo traduzi-los. Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites. Anotava o indizível. Fixava vertigens.
Poema: Arthur Rimbaud
Arte: Tom Colbie
Arthur Rimbaud
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