Pages

TRADUTOR

Showing posts with label beijo. Show all posts
Showing posts with label beijo. Show all posts

Tuesday, August 20, 2013

UM POEMA DE AMOR



todas as mulheres
todos os seus beijos as
diferentes formas com que amam e
falam e precisam.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e calçados e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres que são muito
quentes, eles me lembram de
torradas com manteiga com a manteiga
derretida
dentro

há uma aparência nos
olhos: eles foram
eles têm sido tomadas
enganadas. Eu nem mesmo sei o que
fazer por
elas.

eu sou
bom na cozinha um bom
ouvinte
mas eu nunca aprendi a
dançar - eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas eu gostei das suas diferentes
camas
de fumar cigarros
olhando para o
teto. Eu não era nem cruel nem
desonesto. apenas
um aprendiz.

Eu sei que todos elas têm pés
e os pés descalços vão pelo chão enquanto
Eu observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim
algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam baixinho de
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
loucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
um ao outro
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

aquelas orelhas aqueles
braços
cotovelos aqueles olhos
olhando, o carinho e
a carência me sustentaram,
me
sustentaram.





Charles Bukowski - [Tradução: M. Chalvinski]

Friday, May 25, 2012

O GOLEM




Interpelo
Esta sombra
A contrapelo

Do escalpo
Ao cerebelo
Me rebelo:

Como quem sente
Gelo nas veias
Te chamo vento
Deus das areias

Como quem teme
Saber o que ousa
Ser sem ouvidos
Me chamo coisa

Ouve essa voz
De lâmina cega
Essa faca atroz
Atrás do que nega:

— Podem os pedaços
Deixados no caminho
Plasmarem outro ser?

— Fruto constelado
Que ignore a queda
E assuma seu aço?

— Quem seria a serpente
A voar entre as dunas
Feliz em suas plumas?

— Lembraria do barro
Que o pariu na estrada
Esse gêmeo do nada?

A sombra me nega
Seu verbo e se vai.

Afundo lívido em
Meu álibi:

Alívio de quem
Nada sabe.





Poema: Fernando Abreu

Arte: Comicfan

Tira-gosto