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Friday, January 20, 2017

SE MINHAS MÃOS PUDESSEM CONSUMIR A LUA




Eu pronuncio teu nome
em noites escuras,
quando os astros vêm
para beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
horas mortas antigas.


Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais triste que a chuva dócil.

Eu vou te amar como antes
em algum momento?
Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se desfaz,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?

Ah, se meus dedos pudessem
consumir a lua!



Poema: F.G. Lorca
Tradução: M. Chalvinski
Arte: T. Colbie

Wednesday, November 16, 2011

ALGUM LUGAR EM QUE EU NUNCA ESTIVE





algum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas




E.E. Cummings
[Trad: Augusto de Campos]

Tira-gosto