Pages

TRADUTOR

Showing posts with label Bar. Show all posts
Showing posts with label Bar. Show all posts

Friday, July 14, 2017

BELCHIOR BLUES










a paixão é uma coragem que vicia
& a mim não importa que você peça
meu coração numa bandeja
não quero o que a cabeça pensa
quero o que a alma deseja

aqui nessa canalhice, nesse bar
nada mais importa
o amor veio e bateu na minha porta
o amor levou o número dos meus sapatos
a minha cédula de identidade
expulsou os meus amigos
diluiu minhas amantes
o amor me deu dor de cabeça
o amor bebeu o meu uísque
fumou os meus cigarros
tomou minhas aspirinas

o amor viajou para o Tibet
galopou um camelo
dormiu em árvores à noite
tingiu os seus sapatos de azul
morou em um barril

o amor não partiu
mas levou todas as minhas dores
todos os meus temores
& sem pedir favores

acabou até com o meu medo da morte



POEMA: MARCELLO CHALVINSKI
ARTE: TOM COLBIE

Wednesday, September 26, 2012

DESFILE



Patifes sólidos. Muitos já exploram vossos mundos.

Sem carências, e pouca pressa em aplicar suas brilhantes faculdades e sua experiência de vossas consciências. Que homens maduros! Olhos vidrados como noite de verão, vermelhos e negros, tricolores, aço salpicado de estrelas douradas; faces disformes, plúmbeas, pálidas, em brasa; rouquidões burlescas! os passos cruéis dos ouropéis! — Alguns são jovens, — mas como encarariam Querubim? — munidos de vozes medonhas e truques perigosos. São enviados amarrados pras cidades, fantasiados com um luxo que dá nojo.
Oh! O mais violento Paraíso da careta furiosa! Nada comparável a seus Faquires e outras tantas teatrais bufoneiras. Em trajes improvisados com sabor de pesadelo, encenam litanias, tragédias de malandros e semideuses cheios de graça, como jamais foram a história ou as religiões. Chineses, Hotentotes, ciganos, otários, hienas, Moleques, velhas demências, demônios sinistros, misturam os modos populares, maternais, com poses e ternuras bestiais.
Interpretariam peças novas, canções “para moças”. Mestres jograis, eles transformam o lugar e as pessoas, e usam a comédia magnética. Os olhos ardem, o sangue canta, ossos se dilatam, escorrem lágrimas e fitas de carmim. Sua folia ou seu terror dura um minuto, ou meses inteiros. Só eu tenho a chave desse desfile selvagem.





Poema: Arthur Rimbaud (Iluminuras)

Arte: Tom Colbie

Tira-gosto